INTEMPESTIVO

Tomo Coca-Cola com café,
A mãe do Red Bull com wisk.
Inspira-me à reviravolta do desatinado juízo,
Soltando o incrédulo súdito do tempo,
Este meu outro eu mais realista.

Nelci Nunes - O Falador.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ESTAMPA - NELCI NUNES - O FALADOR.

QUADRO PINTADO PELA ARTISTA
ARGENTINA RAQUEL ARCIONI,
A RAQUEL DE RAQUEL.
Minha amiga é dona de uma 
técnica excepcional. Adoro o seu 
trabalho e sensibilidade poética.
Gostei demais, muito obrigado!










sexta-feira, 18 de outubro de 2013

LAMPEJO DA LEMBRANÇA - Nelci Nunes - O Falador.



LAMPEJO DE LEMBRANÇA

Nelci Nunes - O Falador.

Vejo o caldeirão de ferro, escuro, trincado, em cima do fogão.
Viu muita lenha virar cinza e adubo para os canteiros de couve.

Esse herdeiro antigo de variadas e incontidas histórias,
Foi companheiro de inúmeras gerações da mesma família.

Fiel conhecedor de tantas lendas, guardador sombrio de mortais segredos,
Manipulado por diversas mãos; sempre quieto no seu canto mal iluminado.

Nele fervilha o esforço sofrido, a saudade, cólera presa na garganta.
Cozinha alimentos; ferve roupas, tinge saia, prantos ancestrais...

Forjado em remoto tempo, dono, senhor de desconhecida idade,
Repousa sob o negrume do picumã. De tão usado já não enferruja mais...                                                                                


CANTIGA MINEIRA - Nelci Nunes - O Falador.



CANTIGA MINEIRA

 Nelci Nunes - O Falador.

Senhora dona dos ovos,
Me vende um ou me dá dois.

Senhora dona,
Eu não vou na sua casa,
Porque não sei do caminho,
Nem tampouco posso ir,
Eu sei que no caminho,
Tem ribanceira,
Ai que medo de cair!

Senhora dona dos ovos,
Me vende um ou me dá dois.

Senhora dona escuta,
O que eu vou falar,
Me contaram que a senhora,
Mijou na cama,
Foi preguiça de levantar.

Senhora dona dos ovos,
Me vende um ou me dá dois.

Uma dona me pediu,
Sete ovos de gambá,
Mas que velha danada,
Nunca vi gambá botar.

Senhora dona dos ovos,
Me vende um ou me dá dois.

Senhora dona case comigo,
Só não case com macaqueiro,
Macaqueiro tem medo de gente,
E não sabe juntar dinheiro.

Senhora dona dos ovos,
Me vende um ou me dá dois.

Senhora dona olha o lambari,
Lambari tá pelejando,
Pelejando pra subir na cachoeira,
Eu tô pelejando,
Pelejando pra tomar mulher dos outros,
Mas que besteira!...

Senhora dona dos ovos,
Me vende um ou me dá dois.

Senhora dona,
A mandioca dá farinha,
A mandioca dá fubá,
Quem quiser que acredite,
Quem em quiser acreditar.

Senhora dona dos ovos,
Me vende um ou me dá dois.

Senhora dona,
O seu cabelo é pichui,
O meu cabelo é pichuá,
É corda de viola,
Vamos nós encordoar.
Olê lê lê como é que fica,
Olê lê lê como é que tá,
Quem quiser beber cachaça,
Manda o calango buscar,
O calango vai depressa e,
Volta já.


Senhora dona...

domingo, 14 de julho de 2013

ESTAÇÃO ELÉTRICA - Nelci Nunes - O Falador.


ESTAÇÃO ELÉTRICA
Nelci Nunes - O Falador.

Esta música que vem de fora,
Som de antigos negros felizes,
De brancos com alma negra.

Ela emociona,
Provoca arrepios,
De vez em quando,
          [Furtivas lágrimas...

Basta ouvi-la,
Em pouco tempo,
Estará dançando, extasiado...


O aparelho de som,
Terá o seu volume aumentado,
Provocando escandaloso pico de euforia.


Sem estilo definido pra dançar,
Basta o movimento de qualquer jeito, puxar e empurrar.
Eis que a magnífica dança desconjuntada está pronta.


É a Velha Escola do Funk.
Alegre, despreocupada, eletrizante.
Embalado, você não percebe o quanto,
                                    [Este ritmo contagia...





sexta-feira, 12 de julho de 2013

MODERNÍSSIMO - Nelci Nunes - O Falador.


                              MODERNÍSSIMO
 Nelci Nunes - O Falador.


Habita em mim,
Muitos males.

Silenciosos como,
Os passos da Velha de Preto.

Ocultos, caminharam,
Durante anos.

Tardio, percebo,
           Suas pegadas.

                   Sofro o que sofre,
         O povo moderno.

                            Por culpa da agitação,
                            Do barulho, estresse.

Há muito tragando cigarros,
          Arquejante cardiopatia.

Trabalhando exaustivamente por dinheiro,
Amofino na extrema brutalidade da sovinice.

Sobre todos e tudo mais,
Que falta faz a amizade.

Nesta última dor, estremeço.
Em implacável solidão.

Serei abençoado,
Na velhice; se rápido for,
Pela Velha de Preto bafejado.
        


domingo, 7 de julho de 2013

AVOEJO - Nelci Nunes - O Falador.



AVOEJO

Nelci Nunes - O Falador.


Minto.
Apenas parece obscura,
A realidade para você.

Suave.
Teu perfume,
Sutil; esquecido numa gaveta.

Passada.
Não vou antecipar meu sofrimento.

Amei.
Tenho esta refeita lembrança.

Sonho,
Desligue-o ao dormir.
É o medo...
Quando você volta,
Prevendo futuros incertos.

Voou.
O meu viver,
Cometeu o impensado ato.
Reencontro-me,
Caminhando sem rumo qualquer.
Minta-se...
Mesmo com atraso.

Asas.
As minhas,
Alguém as viu?

Mente.
Guardiã da insana saudade.
Cega,
Lembrando de coisas sobre as quais...
Não ouso refinar.

E.
Daquela outra vida...
Regresso.
No bolso rebelde;
Amassada fotografia de quem me ama.
Amor sobre o qual,
Não tenho mais ação...


quarta-feira, 3 de julho de 2013

A FUGA - Nelci Nunes - O Falador.



A FUGA

Nelci Nunes - O Falador.

Preciso fugir de casa.
Venho alimentado esta idéia.
A idade provoca estranhos surtos.
Vejo-me desaparecendo a qualquer  momento.

A pequena casa fica imensa.
Em cada parede uma tela de cinema.
Minha vida passando em cenas,
Imagens que procuro esquecer.

Sabedoras de todos os caminhos,
Enganam-me todas as vezes que as deixo;
Para em outro instante voarem,
Na minha mente, muito mais bravias.

Não preciso de novo amor,
O que tenho possui vida própria,
Caminha bem quando não estou,
É conhecedora dos instantes,
                   [de presente ausência...

Necessito ganhar mundo...
Estou cansado de voar sem asas,
Para em pouco tempo, sóbrio;
Repousar desanimado no mesmo lugar.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

LAMPEJO DE LEMBRANÇA - Nelci Nunes - O Falador.



LAMPEJO DE LEMBRANÇA

Nelci Nunes - O Falador.

Vejo o caldeirão de ferro, escuro, trincado, em cima do fogão.
Viu muita lenha virar cinza e adubo para os canteiros de couve.

Esse herdeiro antigo de variadas e incontidas histórias,
Foi companheiro de inúmeras gerações da mesma família.

Fiel conhecedor de tantas lendas, guardador sombrio de mortais segredos,
Manipulado por diversas mãos; sempre quieto no seu canto mal iluminado.

Nele fervilha o esforço sofrido, a saudade, cólera presa na garganta.
Cozinha alimentos; ferve roupas, tinge saia, prantos ancestrais...

Forjado em remoto tempo, dono, senhor de desconhecida idade,
Repousa sob o negrume do picumã. De tão usado já não enferruja mais...                                                                                



quinta-feira, 20 de junho de 2013

DIA COMUM - Nelci Nunes - O Falador.



                                  DIA COMUM

                                         Nelci Nunes - O Falador.

O turbilhão das gentes passeia pela cidade.
Mostro no sorriso, poucos e fracos dentes.
É a minha fracassada ingenuidade.

Passa por mim a passo ligeiro, enorme pivete.
De algum idoso, usando força, levou dinheiro.
Agora ando alerta, repleto de temores, assustado.
O turbilhão das gentes passeia pela cidade...

Levo este sorriso de míseros dentes,
Sinto que tenho a alegria verdadeira.
Do andaime vejo tudo pequeno,
Pessoas apressadas passam na frente dos carros,
Continuo a trabalhar; sob sol ardente, sereno.
Transeuntes seguem uns aos outros a esbarros...

Penso n’outra vida mais feliz,
Sou mesmo pobre como se diz,
Não há quem se importe em me amar,
Continuo tranquilo sob o sol que me queima...

Desço do andaime, ligeiro...
...Ligeiro; não sei voar.
Penso n’outra vida muito mais feliz,
O turbilhão apressado das gentes parou...
...Parou. Boquiabertos a me olhar.




terça-feira, 18 de junho de 2013

VIDA DE POLÍCIA, POLÍCIA PELA VIDA. Nelci Nunes - O Falador.


                                  VIDA DE POLÍCIA,
                               POLÍCIA PELA VIDA.

Nelci Nunes - O Falador. 

No palco da vida,
Nós somos o show.

Quando as cortinas,
Do mundo se abrem,
Atuamos no espetáculo,
Maior de Deus, a vida.

Nosso anfiteatro:
A terra, o ar,
As matas, as águas;
Muitas! O fogo,
Em fim, as cidades.

A missão incondicional:
Sua vida, fardados ou não.

Neste teatro confuso,
Encenamos a peça (...),
O bem contra o mal.
Onde prevalece a dignidade,
A honra, a camaradagem...

Mesmo que por motivo torpe,
Algum caia do tablado;
Ou no heroísmo estrito do dever,
A apresentação deve continuar...

No palco do mundo,
A vida não para...

Sem ensaios,
Existe improviso,
Nosso show acontece,
Em tempo real.

Só o compromisso com o dever,
O gosto pelo trabalho,
O amor à profissão,
Formam o Bombeiro Militar,
Edificam o Policial Militar.

No palco da sua vida,
Somos o Cosmorama,

O espetáculo sem fim...

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O BOLOR - Nelci Nunes - O Falador.



O BOLOR

Nelci Nunes - O Falador.

Escorregadio musgo nos degraus,
Crescido; prenúncio da estação chuvosa.
Verde caminho rumo ao cadeado,
Onde não existia portão.

Passageiro limo,
Feito as dificuldades impostas;
Involuntário viver perigoso,
Desaparecido sob intenso calor.

Malogrado bolor empapando o coração,
Chuvisco verde desencanto dos olhos,
Sem sol aplacador que,
Ilumine a bolorenta estrada...
Gradeado muro ostentando baixo portão,

Despido da coragem de quem ouse galgá-lo.

domingo, 16 de junho de 2013

CORDIALIDADE OU POEMA SEM FIM - Nelci Nunes - O Falador.



CORDIALIDADE
OU POEMA SEM FIM

              Nelci Nunes - O Falador.

                                [Muitos deles já se foram,
                                 mas a história fica...]

É com o usual préstimo,
De muita estima que envio,
O meu caloroso abraço ao,
Ilustríssimo senhor...
                   Fernando Collor de Melo,
                   Do qual sou incontestável fã.
                   Ao meu querido,
          Salvatore Cacciola.
                   À estimada Jorgina de Freitas,
                   Pessoa da minha extremada confiança.
                   D. Ana Accioli,
                   É imensa a saudade que tenho de ti.
                   Paulo Salim Maluf, MEU HERÓI.
                   Nobre amigo de horas incertas,
E tão injustiçado!

Aos admiráveis,
Nicolau dos Santos Neto,
Hildebrando Pascoal,
Jader Barbalho,
Ao maravilho casal,
Celso e Nicéia Pita,
Que pessoas maravilhosas!

                   Confesso esta saudade inenarrável,
                   Que sem escusas arrebenta-me o peito,
                   E desculpo-me pela pobreza e indelicadeza,
                   De não ir pessoalmente levar-lhe o meu afeto,
                   Mas tu sabes quão verdadeiro é o meu sofrer.
                   No entanto, mesmo atrasado,
                   Receba este grande sentimento de amizade,
                   De esmerada cordialidade,
                   Senhor Antônio Carlos Magalhães...
                   

Desejo que este voto,
Estenda-se ao Luiz Estevão,
Venturoso ser.
Antes que eu esqueça,
Votos de felicidade,
Ao ilustre Sérgio Naia,
Um brinde!
Em taças de cristal Bacará,
Coisa mimosa de ricos é claro.
Se não for pedir muito,
Felicitem o pessoal do SIVAM,
Da ENCOL, do MARKA,
Do BANESPA, do BANCO SANTOS,
Olá senhor Flávio Mendonça de Barros!

         Enquanto isso dou um pulinho,
         Até a rede SOMAR, COBAL, ABC...
         Quem sabe consigo alimentar-me um pouco melhor.
         Preciso muito daqueles complementos na sopa de feijão,
         Vitaminas da sopa cor de rosa, nutrientes distribuídos pela LBA.

Um caloroso abraço para D. Rosane Collor,
Dizem que tem uma imensa coleção de calcinhas,
Todas de mui apurado luxo e bom gosto.
Estendo este gesto ao senhor Newton Cardoso,
Dizem que tem uma imensa coleção de fazendas,
Tudo, fruto do seu árduo e infatigável trabalho.

                   Aqui vai belo cartão,
                   Ao senhor Eduardo Azeredo,
                   E flores a senhora Solange Vieira,
                   Competente e ágil secretária.
                   Em tempo...
                   Solto foguetes e vivas aos ilustres,
                   Roberto Jefferson, José Genoíno,
                   Delúbio Soares, José Dirceu,
Aos honestíssimos Marcos Valério,
E Severino Cavalcanti, outro injustiçado.
Onde estiver, saudades eternas!
Havendo alguém mais próximo do que eu,
Com um pouco mais de dinheiro disponível,
Deposite nos túmulos dos meus amigos,
Paulo Cezar Farias e Suzane Marcolino,
Maravilhoso buquê de flores.

Caso tenha esquecido alguém,
Neste cordial gesto de abraçar,
Deixo aqui espaço suficiente,
Para você também enviar o seu:

         (...“                             ”...)

         Que o IBAMA cuide da nossa fauna,

         Salvando da extinção o ilustre tamanduá.