INTEMPESTIVO

Tomo Coca-Cola com café,
A mãe do Red Bull com wisk.
Inspira-me à reviravolta do desatinado juízo,
Soltando o incrédulo súdito do tempo,
Este meu outro eu mais realista.

Nelci Nunes - O Falador.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

LAMPEJO DE LEMBRANÇA - Nelci Nunes - O Falador.



LAMPEJO DE LEMBRANÇA

Nelci Nunes - O Falador.

Vejo o caldeirão de ferro, escuro, trincado, em cima do fogão.
Viu muita lenha virar cinza e adubo para os canteiros de couve.

Esse herdeiro antigo de variadas e incontidas histórias,
Foi companheiro de inúmeras gerações da mesma família.

Fiel conhecedor de tantas lendas, guardador sombrio de mortais segredos,
Manipulado por diversas mãos; sempre quieto no seu canto mal iluminado.

Nele fervilha o esforço sofrido, a saudade, cólera presa na garganta.
Cozinha alimentos; ferve roupas, tinge saia, prantos ancestrais...

Forjado em remoto tempo, dono, senhor de desconhecida idade,
Repousa sob o negrume do picumã. De tão usado já não enferruja mais...                                                                                



quinta-feira, 20 de junho de 2013

DIA COMUM - Nelci Nunes - O Falador.



                                  DIA COMUM

                                         Nelci Nunes - O Falador.

O turbilhão das gentes passeia pela cidade.
Mostro no sorriso, poucos e fracos dentes.
É a minha fracassada ingenuidade.

Passa por mim a passo ligeiro, enorme pivete.
De algum idoso, usando força, levou dinheiro.
Agora ando alerta, repleto de temores, assustado.
O turbilhão das gentes passeia pela cidade...

Levo este sorriso de míseros dentes,
Sinto que tenho a alegria verdadeira.
Do andaime vejo tudo pequeno,
Pessoas apressadas passam na frente dos carros,
Continuo a trabalhar; sob sol ardente, sereno.
Transeuntes seguem uns aos outros a esbarros...

Penso n’outra vida mais feliz,
Sou mesmo pobre como se diz,
Não há quem se importe em me amar,
Continuo tranquilo sob o sol que me queima...

Desço do andaime, ligeiro...
...Ligeiro; não sei voar.
Penso n’outra vida muito mais feliz,
O turbilhão apressado das gentes parou...
...Parou. Boquiabertos a me olhar.




terça-feira, 18 de junho de 2013

VIDA DE POLÍCIA, POLÍCIA PELA VIDA. Nelci Nunes - O Falador.


                                  VIDA DE POLÍCIA,
                               POLÍCIA PELA VIDA.

Nelci Nunes - O Falador. 

No palco da vida,
Nós somos o show.

Quando as cortinas,
Do mundo se abrem,
Atuamos no espetáculo,
Maior de Deus, a vida.

Nosso anfiteatro:
A terra, o ar,
As matas, as águas;
Muitas! O fogo,
Em fim, as cidades.

A missão incondicional:
Sua vida, fardados ou não.

Neste teatro confuso,
Encenamos a peça (...),
O bem contra o mal.
Onde prevalece a dignidade,
A honra, a camaradagem...

Mesmo que por motivo torpe,
Algum caia do tablado;
Ou no heroísmo estrito do dever,
A apresentação deve continuar...

No palco do mundo,
A vida não para...

Sem ensaios,
Existe improviso,
Nosso show acontece,
Em tempo real.

Só o compromisso com o dever,
O gosto pelo trabalho,
O amor à profissão,
Formam o Bombeiro Militar,
Edificam o Policial Militar.

No palco da sua vida,
Somos o Cosmorama,

O espetáculo sem fim...

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O BOLOR - Nelci Nunes - O Falador.



O BOLOR

Nelci Nunes - O Falador.

Escorregadio musgo nos degraus,
Crescido; prenúncio da estação chuvosa.
Verde caminho rumo ao cadeado,
Onde não existia portão.

Passageiro limo,
Feito as dificuldades impostas;
Involuntário viver perigoso,
Desaparecido sob intenso calor.

Malogrado bolor empapando o coração,
Chuvisco verde desencanto dos olhos,
Sem sol aplacador que,
Ilumine a bolorenta estrada...
Gradeado muro ostentando baixo portão,

Despido da coragem de quem ouse galgá-lo.

domingo, 16 de junho de 2013

CORDIALIDADE OU POEMA SEM FIM - Nelci Nunes - O Falador.



CORDIALIDADE
OU POEMA SEM FIM

              Nelci Nunes - O Falador.

                                [Muitos deles já se foram,
                                 mas a história fica...]

É com o usual préstimo,
De muita estima que envio,
O meu caloroso abraço ao,
Ilustríssimo senhor...
                   Fernando Collor de Melo,
                   Do qual sou incontestável fã.
                   Ao meu querido,
          Salvatore Cacciola.
                   À estimada Jorgina de Freitas,
                   Pessoa da minha extremada confiança.
                   D. Ana Accioli,
                   É imensa a saudade que tenho de ti.
                   Paulo Salim Maluf, MEU HERÓI.
                   Nobre amigo de horas incertas,
E tão injustiçado!

Aos admiráveis,
Nicolau dos Santos Neto,
Hildebrando Pascoal,
Jader Barbalho,
Ao maravilho casal,
Celso e Nicéia Pita,
Que pessoas maravilhosas!

                   Confesso esta saudade inenarrável,
                   Que sem escusas arrebenta-me o peito,
                   E desculpo-me pela pobreza e indelicadeza,
                   De não ir pessoalmente levar-lhe o meu afeto,
                   Mas tu sabes quão verdadeiro é o meu sofrer.
                   No entanto, mesmo atrasado,
                   Receba este grande sentimento de amizade,
                   De esmerada cordialidade,
                   Senhor Antônio Carlos Magalhães...
                   

Desejo que este voto,
Estenda-se ao Luiz Estevão,
Venturoso ser.
Antes que eu esqueça,
Votos de felicidade,
Ao ilustre Sérgio Naia,
Um brinde!
Em taças de cristal Bacará,
Coisa mimosa de ricos é claro.
Se não for pedir muito,
Felicitem o pessoal do SIVAM,
Da ENCOL, do MARKA,
Do BANESPA, do BANCO SANTOS,
Olá senhor Flávio Mendonça de Barros!

         Enquanto isso dou um pulinho,
         Até a rede SOMAR, COBAL, ABC...
         Quem sabe consigo alimentar-me um pouco melhor.
         Preciso muito daqueles complementos na sopa de feijão,
         Vitaminas da sopa cor de rosa, nutrientes distribuídos pela LBA.

Um caloroso abraço para D. Rosane Collor,
Dizem que tem uma imensa coleção de calcinhas,
Todas de mui apurado luxo e bom gosto.
Estendo este gesto ao senhor Newton Cardoso,
Dizem que tem uma imensa coleção de fazendas,
Tudo, fruto do seu árduo e infatigável trabalho.

                   Aqui vai belo cartão,
                   Ao senhor Eduardo Azeredo,
                   E flores a senhora Solange Vieira,
                   Competente e ágil secretária.
                   Em tempo...
                   Solto foguetes e vivas aos ilustres,
                   Roberto Jefferson, José Genoíno,
                   Delúbio Soares, José Dirceu,
Aos honestíssimos Marcos Valério,
E Severino Cavalcanti, outro injustiçado.
Onde estiver, saudades eternas!
Havendo alguém mais próximo do que eu,
Com um pouco mais de dinheiro disponível,
Deposite nos túmulos dos meus amigos,
Paulo Cezar Farias e Suzane Marcolino,
Maravilhoso buquê de flores.

Caso tenha esquecido alguém,
Neste cordial gesto de abraçar,
Deixo aqui espaço suficiente,
Para você também enviar o seu:

         (...“                             ”...)

         Que o IBAMA cuide da nossa fauna,

         Salvando da extinção o ilustre tamanduá.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

ALMA NEGRA - Nelci Nunes - O Falador.



ALMA NEGRA

                  Nelci Nunes - O Falador.

O urubu desce aos campos,
Onde repousa o seu alento.

Sobrevive,
Porque morrer também é viver.

Um mendigo feio anda pelas ruas,
Mal cheiroso, cabeludo, ignorado.

O cego vendedor de loterias,
Na esquina, divide o ponto com o coxo.

A perna ulcerada _ é a última da borboleta_,
A mão estendida rogando moedas _ pelo amor de...

Criança envolta em panos,
Crianças soltas embaixo dos semáforos,
                      [violentando os carros.

Esses bichos nas ruas agridem.
Os vidros dos autos são fechados.

A ave agourenta sobrevoa a cidade,
O bandido foge levando uma bolsa.

Pega, pega, pega... é ladrão...
Não; é apenas uma criança!

O pássaro sustenta seu vôo negro,
A fome é outra negra insustentável,

E ambos letais, inatingíveis.   

quinta-feira, 6 de junho de 2013

VOZ - Nelci Nunes - O Falador.



VOZ
Nelci Nunes - O Falador.

Ando impar pela estrada do meu ser...
O verde manto do tempo sempre renasce
A ilusão que tenho nos olhos.

Avulta na mente o verso sem nenhuma resposta,
Ouço a voz em solilóquio; ela não me ouve.
Determinada, impõe o que te não ousaria dizê-lo.

Este mutante e passageiro tempo,
Sempre deseja enaltecer o que diz a voz.
Eu escuto o vento, ela parece chamá-lo.

Foge-me a voz depois de cessar a caminhada,
Porque é breve, repentino e agitado o sono;
Arrastado por sombras de recônditas paredes.

A voz se oculta mais real do que imagino,
Ela sobrepensa-me apenas quando deseja;
De ateneu em ateneu prova emoções...

Obscura voz, amiga inseparável do tempo,
Apenas o som renitente da chuva a faz repousar.
Em inesperadas horas a ouço falando consigo mesma.

Ela vive em meu ser; explorando lugares onde nunca fui.
O seu vale de segredos é intransponível.
Voz amena, crível, sonhada e mal sentida.

Tento ouvir essa voz e fico extasiado...
Ela deixa-me, feita o vento; alça repentino vôo.
Solaz, em frívola viagem, busco-a em meus pensamentos.

Sinto esta longínqua voz redirecionar a minha vida.
Ontem a porta era a saída do meu inefável destino...

E se não ouço essa voz; ela, quando quer, vem ditar-me o caminho.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O PESO - Nelci Nunes - O Falador.

                    O PESO
                            
                               Nelci Nunes - O Falador. 

Há um continente perdido no meu ser,
Talvez, seja maravilhoso, mas desconheço.

Atrás do próximo porto tem outra cidade,
Muitas casas velhas, repletas de gente sombria.

Mesmo calado, não me encontro...
Sou o terreno baldio depois do fim.

Treze cidades depois do fim...
Trajetória para o continente perdido.

Danço sob imaginário som,
Voo com minhas asas de chumbo,
Sinto alegria; alegria esquisita...